16th Jul2011

Fantaspoa 2011 – Vermelho, Branco & Azul

by Pedro Henrique Gomes

Exprimir do vazio

Como jogar com o macabro do Humano sem confrontar seus demônios? Como dialogar com o filme de gênero numa história que, não raro, chafurda a própria gênese desse cinema para tentar se levar um pouco mais a sério? Vermelho, Branco & Azul tenta encontrar um caminho possível em meio a uma trama talhada a esquemas lógicos e bobinhos. Nesse filme de Simon Rumley, não há motivos ou ideologias, só a ação inconsequente. O filme conta um pedaço da vida de Erica, garota humilde que vive de sexo com um qualquer aqui e outro ali. Transa com muitos homens, mas não se envolve emocionalmente com nenhum, gosta mesmo é do sexo pelo sexo, do gozo pelo gozo. Depois dá tchau e vai embora. Um dia conhece Nate (aquele tipo de cara que só aparece uma vez nada vida de uma mulher, compreensivo e protetor), veterano que combateu no Iraque e que, assim de repente, passa a observá-la.

Na cena em que Nate abraça Erica na cama, que marca o momento em que o filme aparenta ganhar certa força e atinge um nível de maturidade imagética menos engessada por esse registro do amor e o ódio pela vingança, o diretor Simon Rumley trata de dar um rumo oscilante (e até bem patético) para as coisas. A mocinha torna-se vítima de seu próprio jogo; os jovens inofensivos se encontram com problemas inesperados e, despreparados para enfrentá-los, definham diante seus próprios medos; o homem observador e amigo-protetor mostra sua verdadeira face macabra. Para amplificar a sensação, Rumley prefere uma trilha sonora estridente, non-stop, o que só reforça sua falta de tato no que diz respeito à arquitetura do medo e da suspensão.

No fim das contas, Red, White & Blue não sabe muito bem se posicionar diante das circunstâncias que ele próprio vai criando. A bem dizer, entre uma análise psicológica mais aprofundada na mente de personagens evidentemente deslocados e uma abordagem mais livre, menos problematizante, Rumley acaba ficando em cima do muro, preferindo criar um clima de vingança banal e saturado. Mas, aqui, não existem imagens capazes de prender o espectador a essa história caprichada na caretice.

(Red, White & Blue, EUA/UK, 2010) De Simon Rumley. Com Noah Taylor, Amanda Fuller, Marc Senter, Nick Ashy Holden, Patrick Crovo, Jon Michael Davis, Sally Jackson, Lauren Schneider