11th Oct2011

Finisterrae

by Pedro Henrique Gomes

Filme que dialoga fortemente com Jodorovsky (em ritmo, nunca em potência), Finisterrae deixa bem claro desde primeiros minutos que não tenciona facilitar as coisas para o espectador. Se articulando a partir de uma premissa interessante, o filme de Sergio Caballero traz ao mundo dois fantasmas que, na recém chegada viagem a terra dos mortos, precisam encontrar o caminho até Finisterrae. No percurso, embebidos pela inocência de turistas, eles se deparam a todo instante com personagens bizarros, entre homens e animais, sons e imagens que são para eles estranhos. Do surrealismo o filme se inscreve dos pés a cabeça, até que não haja mais para onde recorrer.

As imagens que Caballero cria não suportam o peso do drama que almeja engendrar, algo se perde no caminho, algo como a força dos personagens, que giram em torno de situações não mais do que filmadas para criar um efeito dos mais comuns. E se as imagens não convencem, todavia o humor que as acompanha trata de equalizar a experiência, para além de qualquer tentativa de efeito. Filme de leitura imagética, Finisterrae necessita delas para transcender em potência, elevar-se como discurso imagem.

Os fantasmas que trilham pelos campos das mais monótonas paisagens são assim: vítimas de outro mundo, onde estão entorpecendo. No fim, Caballero só consegue tirar o mínimo possível de seu filme, porque não há ali nada que justifique tanta demarcação de estilo (“vejam, serei um autor”), tamanha atmosfera esteta. Um filme em que o que mais importa é o lance genial – que, diga-se, nunca chega. Trata-se, como o espectador tão logo perceberá, de um filme incorruptível, sem desvios e que parece apostar todas as suas fichas no movimento surrealista, na fantasia que brota do realismo mágico mais simplista – do ponto de vista negativo. Só existe uma verdade para Caballero, mas tais discursos prontos são fáceis demais.

(Finisterrae, Espanha/Rússia, 2010) De Sergio Caballero. Com Pau Nubiola, Santi Serra, Pavel Lukiyanov.

One Response to “Finisterrae”

  • Um dia, ainda vou conseguir passar pela maratona de assistir aos filmes de um Festival de Cinema como o do Rio. Bons filmes pra você. Que eles resultem em ótimos textos como esse aí! 🙂

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *