08th Nov2010

Algumas palavras sobre o show de Paul McCartney

by Pedro Henrique Gomes
Antes de mais nada, peço licença ao leitor, pois involuntariamente este texto será escrito em primeira pessoa.

O show de Paul McCartney em Porto Alegre não é simplesmente um show, uma apresentação meramente fantástica; estamos falando de um evento ainda não assimilado pela massa que lotou o estádio Beira-Rio na noite de ontem. Não existe um Homem no mundo capaz de fazer o que Macca fez ontem – e provavelmente irá fazer em São Paulo. A simples imagem do ex-Beatle nos telões já levou a multidão ao delírio. Para quem, como eu, esperou mais de 30 horas na fila, valeu a pena. Como bom inglês, Paul (“que já foi mais popular que Jesus Cristo!”, segundo John Lennon) subiu ao palco pontualmente, às 21 horas. Dali em diante, foi um monstro. Tocou tudo e cantou tudo. A abertura, com Jet, foi um dos momentos mais lindos do show, não somente pela expectativa ter sido derrubada com a presença visível do mestre no palco, mas pela energia que emana em todo o estádio – mais de 50 mil pessoas. Como uma criança, chorei durante as 3 horas da apresentação – acho importante registrar que, choro agora, inclusive, enquanto redijo estas palavras, lembrando de tudo. O efeito do show ainda estará comigo por um bom tempo. Até hoje, nenhum filme fez isso comigo.

A dor da espera refletida no corpo inteiro foi anestesiada no exato momento em que Paul apareceu no palco. O repertório é fantástico, mas o que impressiona é a vitalidade que o velho Paul demonstrou em cada performance. Técnica vocal impecável, Paul soltou a voz do início, com Jet, ao fim, quando tocou The End. No percurso, Let It Be, Yesterday, All My Loving, Lady Madonna, Obladi Oblada (primeira vez que a música é tocada ao vivo no Brasil, segundo Paul), entre outras – tanto dos Beatles quanto de sua carreira solo. Mas a música mais ovacionada foi Hey Jude, com a multidão cantando mesmo após uma breve pausa, até a volta da banda – que acompanha muito bem o músico. O lalalalá de Hey Jude foi um momento especial. O show de Paul McCartney é um orgasmo de 3 horas.

Arriscando o português (com uma colinha), Paul falou bastante com o público, mas se expressou bastante com gestos corporais, como de costume em seus shows. Não somente por ser Paul McCartney e por ter feito parte da maior banda de rock de todos os tempos, mas também por transmitir uma energia tão enlouquecedora quanto emocionante, o espetáculo proporcionado ao público foi de primeira grandeza – com direito a fogos de artifício durante algumas músicas, já próximo do final. A máxima que diz que só sabe quem lá esteve, é válida. O show de Paul McCartney não é somente um show, é um cometa de sensibilidade rara (quase inumano), que nos transporta para o tempo atrás (mesmo para quem não o presenciou) e o tempo à frente. Viver aqueles momentos é quase como chegar à Lua (a Lua desce ao palco em Something, em homenagem a George Harrison, assim como a Terra). Você está lá, no show, mas se sente em tantos outros lugares. É uma viagem. Paul McCartney representa mais que um mito ou uma lenda, já que ele é real e vive. Não há palavras, só a lembrança.

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